
Os degraus do Orgasmo
Tua pele aveludada
incita minha maré de ondas
curta ou alongada
desço correndo entre fendas
como escada declinada...
Procuro o poço sem fundo
vivo e envolvente tão quente
inferno do meu submundo
pega fogo nosso corpo ardente.
Entre sussurros ininteligíveis
fala mais alto a voz do coração
dicionários atentos e invisíveis
traduzem toda essa ação...
No vai e vem, vem e vai
o perfume cheira volúpia
a morte que se esvai
a vida é nossa luxuria.
Se desfalecer neste ato de sexo
quem se importa com o tempo
correndo lá fora sem nexo
morrer fazendo amor é o firmamento
sem saber quem é côncavo ou convexo...
Não há pudor entre quatro paredes
mordiscam-se os seios suados
trocamos olhares de fomes e sedes
nos saciamos e somos usados.
Ninguém busca o fim deste ato
queremos apenas o recomeço
entrar nas entranhas profundas é fato
o prazer é o nosso endereço...
E quando se chega ao êxtase
abro minha bainha e tu guarda a espada
quem eu fui e quem fosse bem amada
e um beijo profundo traduz essa sintaxe.
Ainda desfigurados pela beleza do deleite
devolvemos a alma um do outro
tão natural esse feroz aceite
essa troca de líquidos tal aqueduto
sem saber se é dia ou se é noite...
— Foi bom para você ?
meio poeta
24/10/2012 (manhã)


