Criei asas para ver as pessoas do alto,
bem acima dos pedestais que as ostentam,
construídos com cimento de terceira,
todo dia um desmoronamento.
Peguei muita tormenta
em céu de brigadeiro
subi além do que devia, movido a pensamentos
e em voz tão derradeiro
se impôs tão verdadeiro
pedindo para que pousasse
e parasse de ver os quintais alheios
ah! Se ele soubesse... E sabia.
Sabia mais do meu futuro
do que eu do meu passado
como ousar não pousar ?
E afinal do que me adiantaria
saber tantos de outros
defeito ou maestria
se cuidar de mim me esquecia... Dei a asa a torcer... Pousei.
Hoje ando como todos andam,
de braços abertos ou não,
passos largos ou passos finos
seguindo a mesma canção
fazendo dos horizontes meus destinos
sorrindo ou chorando com a multidão. Voar ?
− Quem sabe, se depois de muito crescer,
possa descobrir onde é que se freia,
onde se acelera quando preciso for
possa bater asas novamente
para pousar nos braços do amor...
Poderia não mais precisar de asas,
porém algo me diz
que ainda tenho muito o que andar
até encontrar o meu estado de ”estou feliz”
e assim, sigo meu caminhar.
Robson
25/09/2013









