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terça-feira, 6 de setembro de 2011

AO MEU ANJO DA GUARDA

http://www.nuaideia.com/nac/m/milton_nascimento/amigo_BN.mid
http://pretinsongs.net/nac/F/fafadebelem/fafa_de_belem_hino_nacional_brasileiro_pretin1.mid



Vinte e dois de abril de 1985
luto oficializado pela morte de Tancredo
numa tristeza insólita
resolvemos, a família, descer a praia

Na estrada antes da chegada
pelo horário avistamos
o avião funerário da esperança que se foi
dos órfãos que ficamos

Ainda nos ressoava sem cessar
Milton cantando Canção da América
e Fafá de Belém com seu Hino Nacional
não tínhamos mais nossa súplica !


Eu e meu cunhado resolvemos esquecer
nem que fosse por alguns momentos
partimos para as malvadas batidas
de coco, amendoim, limão, maracujá
com pingas das bem curtidas...




Com a cara cheia e pranchas de criança
caímos no mar para aproveitar o sol
a viagem e a real desesperança

O mar estava "puxando" para dentro
por cima águas calmas e espelhadas
por baixo um invisível tormento
que nos distanciava das praias

Soltei minha prancha e ela voou
por cima das ondas até a já distante praia
e braçadas após braçadas
um metro para frente e dois para trás


O cunhado continuou com a prancha
mas não conseguíamos nos alcançar
e cada vez mais longe de apoio
comecei a me cansar...

Procurei forças dentro do meu além ser
tentei ao fundo conseguir impulso
mas a maré era de preamar
de viver estava eu sendo expulso






Usava tudo o que podia
mas a vida já me passava toda pela frente
vi situações, desejos, travessuras, amores
fiquei com medo de deixar
meu primeiro filho sem pai presente
como ele iria ficar?


Supliquei para mudar minha data fatal
falei logo com o Maioral
não me havia tempo para os querubins
estava muito próximo do meu fim !





Do nada, nadando tranquilamente
apareceu um rapaz e foi logo dizendo
não se desespere, nade em minha direção
calmamente... Sem fôlego algum obedeci
queria me agarrar em algo como salvação
mas água não tem cabelos...

Dê mais uma braçada, e outra e outra
está quase dando pé
e eu mudo na minha fé
já podia sentir o quebra-mar



Deixei que as ondas me jogassem a praia
encapotei, rodopiei, e a deriva cheguei
meu cunhado veio me socorrer
e eu sem força alguma perguntei
cadê o cara que me ajudou a não morrer?

-- Que cara? Você ficou doido?
... ?

Obrigado, meu lindo Anjo da Guarda...

















Robson
04/09/2011

Um comentário:

Anônimo disse...

ainda bem. Linda.