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POLÍTICA versus POESIA
Eu nasci em rua asfaltada
de casa alugada de dois quartos
mudamos para um bairro de nada
e só depois de muito tempo eleito,
ganhamos de Jânio Quadros
a rua cimentada...
A cidade paulistana
a cada dia que passava
crescia adoidada e puritana
e enquanto eu me escolarizava
tendo achocolatado, pão e banana
crescia ela mais do que eu, toda desvairada.
A cada vereador escolhido
uma rua ou duas se asfaltavam
proibiram fogueira de São João
para não derreter o asfalto de verdade,
guardaram nossas fieiras
para não fazer buracos no chão
e ainda vendem hoje nas feiras
o saudoso pião...
Desde a infância aprendia
que o voto valia rua asfaltada
onde chegava ambulância
mais rápido que na rua esburacada
e naquele tempo nem existia militância
o candidato ia de casa em casa
e nem carro de som existia !
E pasmem, as promessas ele cumpria...
Muito asfalto também enjoa
é muita buzina para meu gosto;
— sai da frente molecada,
— mão na cabeça ladrão,
— os bombeiros mostram a cara
e todo mundo ficando maluco,
fiz de velho a minha mala
fui morar em Pernambuco.
Ainda encontrei gente de palavra
crianças rodando pião
muita pobreza sem os vale-tudo de Lula
sanfoneiros que nunca acabava
comida boa para saciar até a gula
e muita, muitas ruas esburacadas
lugar ideal para conseguir se eleger
se não mudassem suas bancadas...
Aqui passava ônibus de hora em hora
agora as lotações batem de momento em momento
o progresso está dilacerando o sossego
e o poeta vive seu tormento
já não escreve no silêncio
e para onde ir embora (?)
se os candidatos andam de “jaguar”
e o povo amassa o barro de jumento !!!
# meio poeta
19/07/2012