Escarrando a Poesia
Estava quieto no meu canto
semicerrado aos olhos da vida
e o passado insiste em me sonhar
e quando acordo, vasto pesadelo.
Quantas vezes procurei a Proteção
nestes sonhos predeterminados
fora de horários, para não enfartar
e morrer acordado. Detestaria morrer acordado.
O meu canto ali me encanta
me chama feito abismo
e eu incerto, lhe olho fundo
no fundo das ventas da minha vida
E encontro um vazio que criei
profundo vácuo da minha mente
e me excito mentalmente
pra não desgastar meu corpo
que aguarda um sem fim de nada
beirando um pouco do tudo...
Me auto aplico um passe mágico
e a dor da busca se esvai
e sei que ela volta
a dor sempre volta de onde parou
é a vida que não me espera
por saber viver por demais.
Levanto-me e vou viver um pouco
de sol em sol eu respiro o entardecer
e assim o dia dos outros se acaba
e minha noite chega, enfim...
E aos poucos vou tirando a rede de aço
que separa minha liberdade dos tubarões
do conhecimento além do que sou
e poderei sonhar com o amor
sem receio de morrer afogado
da chama que nunca se apagou.
# meio poeta
02/10/2012



Um comentário:
Sim. A morte está longe. A vida, como incógnita que é, ainda fará algumas surpresas.
Beijo.
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