A voz da Cidade, num dia qualquer...
Não sabeis ainda, gente da minha
gente, a força que tens,
não vos fascinam em escrituras o
amor a sua terra e aos seus filhos,
nada dizem, pois sabem o que sentem
e o que querem é paz.
Não aquela eterna que dura enquanto
duram as letras, os ou sons
que se falam entre si, mas aquela
paz em que o travesseiro de plumas
de gansos reais, acomodam-se a tua
cabeça.
Oh! Viris homens de guerra e
danças...
Tuas armas estão acomodadas ao teu
lado, e não as enxergam. Cada
pessoa desta que lhe sombreia a alma
é um voraz defensor de si mesmo
e aos outros. Aproveita a marcha
cativa e une-te aos seus semelhantes.
O mundo é teu.
És tu que votas em dia propício a
isso. Faça valer tua força, pois já te
intimidastes com sua própria
covardia, e hoje come escaldando o pão nosso,
que lhe vende padeiro conformado e
amaldiçoado de região remota e
distante. Se lhe travar a língua,
que vos dizem ser ferina; morda-os...
Ou humilhe-se, beijando os pés de
todo forasteiro.
Entregamos nossa cidade várias vezes
reconquistadas em batalhas cruéis e
bem arquitetadas, desta vez cedemos
cansados de vivermos no
meio de covardes, e quando algum
lutador se fazia presente, os Arrais
lhes imputavam ordens e as orelhas
cediam ao chão. Mais quatro anos de
insustentabilidade e fome...
Que raio de gente é você, pacífico
Eleitor?
(as luzes se apagam)
E ouve-se sons estranhos, murmúrios,
uma mãe grita ao fundo da arena,
Alguém risca um palito ao vento, uma
vela se acende; outra e mais outra.
A mãe retorna aos insanos gritos:
Meu filho, MEU FILHO !!!
A plateia ainda em sombras se agita
ou se atemoriza, ninguém se levanta,
pasmaram sim, ao ver estendido ao
palco, sob um punhal de prata, o corpo
que aqui vos falava,
sangrando toda a vida que possuía...
(alguém de voz miúda
se pronuncia)
(a luz retorna com
menos intensidade)
(um feixe de luz busca
quem fala)
- Vamos eleger alguém
da gente, um político de nossa nascente!
(e joga a bandeira da
cidade para o ar, mostrando seus brasões)
E assim, um novo
capítulo se escrevia, finalmente...
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By Robson Rosa
26/01/2013




