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sábado, 26 de janeiro de 2013

A Voz da Cidade




A voz da Cidade, num dia qualquer...

Não sabeis ainda, gente da minha gente, a força que tens,
não vos fascinam em escrituras o amor a sua terra e aos seus filhos,
nada dizem, pois sabem o que sentem e o que querem é paz.

Não aquela eterna que dura enquanto duram as letras, os ou sons
que se falam entre si, mas aquela paz em que o travesseiro de plumas
de gansos reais, acomodam-se a tua cabeça.

Oh! Viris homens de guerra e danças...

Tuas armas estão acomodadas ao teu lado, e não as enxergam. Cada
pessoa desta que lhe sombreia a alma é um voraz defensor de si mesmo
e aos outros. Aproveita a marcha cativa e une-te aos seus semelhantes.

O mundo é teu.

És tu que votas em dia propício a isso. Faça valer tua força, pois já te
intimidastes com sua própria covardia, e hoje come escaldando o pão nosso,
que lhe vende padeiro conformado e amaldiçoado de região remota e
distante. Se lhe travar a língua, que vos dizem ser ferina; morda-os...
Ou humilhe-se, beijando os pés de todo forasteiro.

Entregamos nossa cidade várias vezes reconquistadas em batalhas cruéis e
bem arquitetadas, desta vez cedemos cansados de vivermos no
meio de covardes, e quando algum lutador se fazia presente, os Arrais
lhes imputavam ordens e as orelhas cediam ao chão. Mais quatro anos de
insustentabilidade e fome...

Que raio de gente é você, pacífico Eleitor?

(as luzes se apagam)

E ouve-se sons estranhos, murmúrios, uma mãe grita ao fundo da arena,
Alguém risca um palito ao vento, uma vela se acende; outra e mais outra.
A mãe retorna aos insanos gritos: Meu filho, MEU FILHO !!!

A plateia ainda em sombras se agita ou se atemoriza, ninguém se levanta,
pasmaram sim, ao ver estendido ao palco, sob um punhal de prata, o corpo
que aqui vos falava, sangrando toda a vida que possuía...

(alguém de voz miúda se pronuncia)
(a luz retorna com menos intensidade)
(um feixe de luz busca quem fala)

- Vamos eleger alguém da gente, um político de nossa nascente!
(e joga a bandeira da cidade para o ar, mostrando seus brasões)

E assim, um novo capítulo se escrevia, finalmente...

© direitos reservados
By Robson Rosa
26/01/2013

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