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É hora de escrever uma cartinha para mim: homemdeasas@hotmail.com

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

SE EU MORRESSE ONTEM



Depois do grande susto, hoje já estaria feliz, não pelo fato de você não ter ido ao meu enterro, seja ele cristão ou indígena (onde todos os pertences, inclusive sua morada, são queimados depois de poucos dias); estaria feliz pelas coisas que não fiz, foram elas afinal que me fizeram perdurar até ontem, aqueles sonhos de gente terrena, que todos nós temos e que faz a gente viver.

E nesta felicidade realmente eterna, terrena-mundana ou celeste-divina, sei que ajudei pessoas que nunca vi, cegos que nunca enxerguei e calei a boca do atroz com alguns traços escritos meus. Felicitaria-me humildemente das coisas que falei, algumas induziram coisas boas, outras, mal aplicadas, resultaram em aprendizado, sempre percebi que é caindo que se ergue com mais força e é nesta vivencia que me inclui e já me achava dono de algumas verdades, mas entremeio a isso descobri que não somos donos de nada, a não ser de algum imóvel registrado em cartório. O que não foi documentado oficialmente, depois deste apagamento da vida, virou pó, sumiu.

Deixarei uma grande herança, só não mencionarei os valores nesse mundo tão ganancioso, pois podem me matar duas vezes, e eu com esse dom de poesia, sei como morrer várias vezes num mesmo poema. Com os meus medos e mania de segurança, se facilitar roubam minha alma e mudariam meu real destino.

A maior herança que pude deixar, foram traços bons de mim aos meus filhos, seja na parte prática como na artística, todos têm um pouco de mim em sua cultura e até no lado espiritualizado de cada um deles. O que mais se aproveitou de mim foi o raspa-de-tacho, por pouco mais de doze anos de idade, aprendeu, muito mais pelo próprio dom, a chorar as emoções e brilhar seus olhos na alegria. Foi também até hoje, o que mais me arretou, em todos os substantivos e adjetivos da palavra e o que mais não deixei me perder deles.

Já fui empregado, funcionário público, sócio e dono. Plantei árvores. Fiz filhos e escrevi um livro editado (http://www.avemaria.com.br/produto/734-bardossemnome) que falava de minhas vicissitudes e de alguns vícios de percurso, tenho outros inacabados; todo livro de qualquer escritor é inacabado, até mesmo os de matemática. Vivemos em evolução, porém conheci pessoas que faziam questão de dizer que o homem nunca foi à lua. Imagine então falar sobre viagens astrais além do corpo...

Vivi, bebi, comi, dormi, acordei, sonhei, realizei, falhei, consertei, aprendi, ensinei, desandei, briguei e amei de paixão. Casei e descasei. Senti dores e êxtases, mediquei, benzi e aprendi muito sobre depressão, pânico e paz. Foram tantas lasanhas, cabidelas, bifes a milanesa, sorvete italiano, trufas, folhagens e pizzas e todo sábado, de praxe, feijoada completa com vinho ou caipirinha, que acabei descobrindo que minha alma é pequena, precisava de mais corpo para cabê-la... (meras desculpas).

Passei algumas fomes, oras, quem não as teve por algum momento? A fome é relativa com a vontade de comer alguma coisa que não se têm na despensa, mas não morri de vontade; há pessoas que morrem. Uns morrem ao atravessar uma rua ou a voar sobre um abismo. Tantos morreram em batalhas fúteis e não passaram de soldados rasos treinados para morrer. Outros se medalharam por terem dizimado pessoas.

Trato a morte com naturalidade, mas a saudades que fica de quem parte é um caso a parte, uma dor a ser trabalhada. Ainda estou aprendendo isso, já que a certeza absoluta do reencontro pós vida ainda me é pré indefinido, faltando apenas morrer para isso aprender.

Eu mudei pessoas e fui mudado por algumas, foram muitas mudanças e nesse muda-muda, não deixarei uma semente de mim, apenas vim, vi e venci, se venci pouco foi falta de tempo e não falta de vontade, isso me lembra estar nas dependências de um grande hospital, com os pés doendo e encontrar aos corredores sem fim, pessoas totalmente truncadas na cadeira de rodas, sorrindo, enquanto eu reclamava de uma dorzinha. Disse-me alguém num culto que Deus é uma parte de mim e que sou uma parte Dele, portanto, se eu dançar ele dança, se eu gostar Ele gosta, se eu morrer, daí eu num sei. Não deve ser como esquecer alguém propositalmente, ao ponto desta pessoa sumir da nossa vida.

Se eu morrer ontem, é mais seu destino ficar sem mim do que eu sem você. Torna-se natural a morte que não me dá medo, do que as surpresas indesejadas que esta vida proporciona, porém acredito que tudo está correto, igual aos alimentos com seus prazos de validade, assim sou eu. Tenho prazo de validade.

Felizmente você também. Sou paciente. E não vá ao meu enterro, como eu gostaria de não ir ao seu. A missão foi cumprida. Assim me vejo. 

Quem sabe a gente se encontra, como é meu desejo.



Robson


29/11/2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Agonia da Pia, da Avaria à Glória


Pia que se entupia
vai de lá a nostalgia
que nem pia existia
tudo na base da bacia
hoje tanta utopia
sem pia por um dia
nem Freud explicaria
tanta euforia
de Sueli e Soraya
e de quem mais assistia,
ao arrumar essa saída
com tanta perícia e maestria
um exemplo à maioria
do que era só teoria
deste momento de alegria
num frisson sem malícia
restou apenas a poesia
com certa ironia
Aleluia ! Aleluia !!!
(alguém cantaria)
pela pia que se desentupia...


Robson, 
29/11/2013

terça-feira, 26 de novembro de 2013

ENTRE NÓS EXISTE O "EU"



Entre minha liberdade de expressão
ou a de ir e vir, falar ou calar, fazer ou estacionar;
há uma pessoinha muito egocêntrica chamada Eu.

Às vezes entre mim e Deus, pairam dúvidas
existenciais abstratas ou concretas
ditadas por ateus, católicos, protestantes, hindus, paranóicos
ou abduzidos convictos, raulseixistas e políticos, dentre outros,
sobre a eterna existência do Todo Poderoso,
não fosse alguns milagres pré ou pós adquiridos.

E o “eu” ali firme comandando
os finalmentes desta ebulição diária
dos sonhos, do acordar, do dormir... Ninguém pensa por mim
sem a autorização do meu “eu” nosso de cada dia.

Na minha vida encontrei muitas pessoas
predispostas a mudar o meu “eu”
entrei na onda, também quis mudar o eu delas;
é claro que fomos vencidos,
ninguém muda ninguém
nem os filhos mudam os pais
nem os pais mudam os avós
nem o mundo muda o mundo
sem a concessão do “eu” de cada um...

Não adianta querer mudar o mundo,
se o próprio mundo vive naturalmente por si só,
a flor só morre se você cuidar
com nossa mania de cuidar demais,
talvez ela sobrevivesse melhor sozinha;
vivemos querendo cuidar dos outros,
e nem todos têm o dom de médicos curandeiros,
mas queremos fazer o papel de cuidadores,
que se não tomar cuidados,
deixamos de cuidar do meu “eu” para cuidar do teu “seu”...

As pessoas grandes ou pequenas têm características
tão próprias que dificilmente há quem entenda
ao menos, metade delas. Não existiu psicólogo
para isso, por mais que ainda citemos o nome de tantos.

No embalo da euforia, nos distraímos
e logo queremos fazer parte de um protesto
que nem de longe nos interessava, mas vamos que vamos,
tamos juntos, conte comigo; nem sempre o meu “eu”
está tão envolvido em causas generalizadas,
apartidárias ou conjuntas. Às vezes só queremos paz.

A vida por si só ensinou ao meu “eu”
que posso viver sem o “teu” seu,
não é do próximo que vem o ar vital,
nem sempre o amor é verdadeiro,
quando sim, sempre há um interesse pelo meio,
interesse esse mais do outro
do que a nós mesmos. É um jogo
jogado por duas pessoas, ou mais...

E na hora de dissolver o que insolúvel era
ainda pagamos advogados para falar pelos nossos “eus”
o que complica um pouco mais,
entrando no jogo os “eus” deles
mais o “eu” final dos juízes de plantão.

E cada um para o seu lado,
um com o “eu” enfiado entre as pernas,
outro com o “eu” cabisbaixo, vencido e mal amado
virando arquivo morto num galpão empoeirado qualquer.

Toda união, estável ou não, de amor ou de paixão,
deveria ser tão fácil terminar
como desistir de uma amizade,
que muitas vezes, segundo reza a lenda,
é mais forte que um enlace matrimonial;
e deveria também ser indenizável tal perca...

Quantas vezes fiz ou não fiz coisas
que até meu próprio “eu” duvidava
o corpo ia, o eu meu segurava
e o “teu” eu completava, ou seja,
quando dois querem não têm “nós” que segure...


Robson
26/11/2013


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

EU QUERO TRABALHAR !!!


EU QUERO TRABALHAR !!!



Hoje em dia o mercado de trabalho despreza os considerados idosos,
e fazem isso apenas por achar que os mesmos adoecem mais. Nada 
sabem sobre experiência e inteligência.

Hoje eu me considero um filósofo professor, sem campo de trabalho,
mas eu ensino não a poesia, nem as rimas, nem a versificação dos
poemas; ensino a se inspirar. Coisa que exige muitos anos de prática.

Hoje realmente eu não faço mais peripécias sexuais, por mais que eu
tente, mas garanto um prazer completo, e por isso, me dará o tempo
certo para a segunda, terceira, quarta... Isso também requereu muitos
anos de prática. Têm jovem que nem tenta. E têm uns que nem querem.

Nós, os considerados "idosos" deveríamos criar uma lei que nos dê uma
garantia, tipo assim, cota obrigatória para negros em faculdades, nos
dando uma cota obrigatória para empregos, até que a cova nos encerre.

Conto com um político "meia-idade" para isso se realizar.




Robson
22/11/2013


sábado, 2 de novembro de 2013

Cesar Ramos e a Comunidade arco-íris


Cesar Ramos e a Comunidade arco-íris


Poeta pode transformar fome em banquete
montanhas em vias acessíveis
mas não pode transformar morte em vida
nem o péssimo real em boa poesia.

Escritores, que a tudo dão vida
enclausuram-se para poderem voar
entre céus, ilhotas, ilhas solitárias
mas não podem fazer nascer em entrelinhas
vida quaisquer sem um pingo de ar...

A flor desabrocha no deserto
em cima de postes, no próprio caule cortado
sem oxigênio é tudo tão certo
o vivo ali será imediatamente anulado.

Vendo as imagens deste necrotério em forma de rio
sem viva alma aparente
não há quem tire da mente
nem um insano verso doente
a não ser palavras de arrepio
de saber que aos contornos moram gente
esperando que lhe mate de dia ou de noite
raivoso precipício...

                                                          “A pobreza não é apenas um fato do modelo socioeconômico vigente, mas, também, do modelo espacial”. (Milton Santos)


Robson

02/11/2013