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terça-feira, 26 de novembro de 2013

ENTRE NÓS EXISTE O "EU"



Entre minha liberdade de expressão
ou a de ir e vir, falar ou calar, fazer ou estacionar;
há uma pessoinha muito egocêntrica chamada Eu.

Às vezes entre mim e Deus, pairam dúvidas
existenciais abstratas ou concretas
ditadas por ateus, católicos, protestantes, hindus, paranóicos
ou abduzidos convictos, raulseixistas e políticos, dentre outros,
sobre a eterna existência do Todo Poderoso,
não fosse alguns milagres pré ou pós adquiridos.

E o “eu” ali firme comandando
os finalmentes desta ebulição diária
dos sonhos, do acordar, do dormir... Ninguém pensa por mim
sem a autorização do meu “eu” nosso de cada dia.

Na minha vida encontrei muitas pessoas
predispostas a mudar o meu “eu”
entrei na onda, também quis mudar o eu delas;
é claro que fomos vencidos,
ninguém muda ninguém
nem os filhos mudam os pais
nem os pais mudam os avós
nem o mundo muda o mundo
sem a concessão do “eu” de cada um...

Não adianta querer mudar o mundo,
se o próprio mundo vive naturalmente por si só,
a flor só morre se você cuidar
com nossa mania de cuidar demais,
talvez ela sobrevivesse melhor sozinha;
vivemos querendo cuidar dos outros,
e nem todos têm o dom de médicos curandeiros,
mas queremos fazer o papel de cuidadores,
que se não tomar cuidados,
deixamos de cuidar do meu “eu” para cuidar do teu “seu”...

As pessoas grandes ou pequenas têm características
tão próprias que dificilmente há quem entenda
ao menos, metade delas. Não existiu psicólogo
para isso, por mais que ainda citemos o nome de tantos.

No embalo da euforia, nos distraímos
e logo queremos fazer parte de um protesto
que nem de longe nos interessava, mas vamos que vamos,
tamos juntos, conte comigo; nem sempre o meu “eu”
está tão envolvido em causas generalizadas,
apartidárias ou conjuntas. Às vezes só queremos paz.

A vida por si só ensinou ao meu “eu”
que posso viver sem o “teu” seu,
não é do próximo que vem o ar vital,
nem sempre o amor é verdadeiro,
quando sim, sempre há um interesse pelo meio,
interesse esse mais do outro
do que a nós mesmos. É um jogo
jogado por duas pessoas, ou mais...

E na hora de dissolver o que insolúvel era
ainda pagamos advogados para falar pelos nossos “eus”
o que complica um pouco mais,
entrando no jogo os “eus” deles
mais o “eu” final dos juízes de plantão.

E cada um para o seu lado,
um com o “eu” enfiado entre as pernas,
outro com o “eu” cabisbaixo, vencido e mal amado
virando arquivo morto num galpão empoeirado qualquer.

Toda união, estável ou não, de amor ou de paixão,
deveria ser tão fácil terminar
como desistir de uma amizade,
que muitas vezes, segundo reza a lenda,
é mais forte que um enlace matrimonial;
e deveria também ser indenizável tal perca...

Quantas vezes fiz ou não fiz coisas
que até meu próprio “eu” duvidava
o corpo ia, o eu meu segurava
e o “teu” eu completava, ou seja,
quando dois querem não têm “nós” que segure...


Robson
26/11/2013


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