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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

DECEPÇÃO PASSAGEIRA EM AGONIA


DECEPÇÃO PASSAGEIRA EM AGONIA


Sabe aqueles dias que tudo é cinza
mesmo com o sol a pino
e pessoas felizes
como se chovesse dentro da alma
com vontade de berrar
aos quatro ventos
e nenhum encanto,
pois é, estou assim...

Como uma fratura exposta
que só some entre sonhos de dormidas
e voltam a sangrar ao acordar... Pois é, é assim.

Junta tudo num momento só,
ter dinheiro e não poder usar,
ter amigos e não poder abraçar,
ter escola e não poder se uniformizar,
ter irmão abatido e não poder visitar,
ter namorada e não poder casar,
ter casa e não poder voltar...

Ver uma justiça injusta,
ver uma policia corrompendo
homens de roupas justas
crianças se drogando
e o governo nem ai...

Ninguém liga para mais nada
a não ser para a fofoca alheia.

Olhar para fora e ver lixo na rua
som estridente por toda noitada
e você sumindo no seu individual
e o meu cão definhando de dor
dilacerando meu coração... Ninguém se preocupando com nada
a não ser ver o Galo da Madrugada
muita gente drogada
mestres salas e porta-bandeiras,
pior estão os retirantes
que só se redimem no carnaval,
depois passa, volta tudo
a ser como antes... Meia boca, quase tão normal.

Um ano inteiro para pecar
sem nem saber o que é pecado
nem muito menos saber
quem é seu falso aliado
ou um verdadeiro original.

Robson

28/02/2014

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

COMO MEDIR UM SER HUMANO


COMO MEDIR UM SER HUMANO


As pessoas
ainda transgridem normas existenciais
medem seres humanos pela geladeira três andares
pelo carro sete lugares
pela conta corrente acima dos milhares
pelas gravatas de marcas importadas
pelas festas que dá pelos meses...

Já fui homem de geladeira pequena
de fogão duas bocas
de tevê dois palmos, de antena interna
geladeira azul, fogão azul, armário fiel azul
carro quatro portas marron
moto sem portas preta e prata
casa na praia só alugando
e era feliz. Gostava do que tive e na cor desejada.

Com idéias fiz milionários
com agrados fiz amor
fiz amigos ordinários
e amigos de valor,
amei mulheres de toda cor,
raça, credo e polivalencia  
e como recompensa
pessoas amadas nos aniversários...

Tive carros grandes e coloridos
manuais ou automáticos
um imóvel aqui
outro nem sei bem onde;
estudei até onde eu quis
não sou cheio de diplomas
pois não meço o ser pela ignorância
só contabilizo seu momento feliz.

Tenho um defeito
odeio gente pobre
e falo na cara do cujo dito
sem qualquer preconceito
− Você é pobre de espírito
e por mais que se diga nobre
e dizer é infinito,
nunca terá meu crédito.

“Há tantas coisas na vida mais importantes que
o dinheiro. Mas, custam tanto.” Groucho Marx

Se ainda medes
as pessoas pela altura
conta bancária, marca do que veste
deixe de lado sua frescura
se dispa deste seu agreste
saia desta amargura,
procure em pessoas valores que engrandecem
como a cultura, a brandura e a porta segura

O resto é apenas descompostura...

Robson


24/02/2014

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Cabelos Alvejados


Cabelos Alvejados

Temos o dom de apagar o passado
desde que o passado não tenha sido
tão fora da lei, que ela nos permita
ir e vir, mesmo que isso nos custem pedágios...

Mudamos nossa carinha de menino
com barba na cara, pelos nos peitos,
brinco na orelha, gravata no pescoço
e diploma na parede, com algum dinheiro no banco.

Nem sempre a ordem é essa,
às vezes perdemos um dos pais
logo lá pela infância
e somos os escolhidos para cuidar do resto da cria,
crescemos tão rápidos feitos barbas,
colocam a corda no pescoço
sem diploma na parede
e nem algum dinheiro no banco. Envelhecemos fora de tempo...

No meio do caminho pedras
quando não, crateras
alguém nos dá a mão, nos tornamos autodidatas
pelos livros que nos emprestam
pelas palavras que nos dizem
e nos profissionalizamos em viver. Tiramos o brinco
e fazemos a barba, já branca
e só entramos no banco
para pagar as contas. Em pouco espaço de tempo
mais cabelos brancos...

Tingimo-los e o milagre se faz
deixamos de ser broncos
por escolha tão sagaz,
e já não somos mais os mesmos
nem muito menos
 como nossos pais.

Robson

18/02/2014

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Um encontro com Cobra Cordelista


Um encontro com Cobra Cordelista


E de repente
entre alguns amigos
você tinha crescido
muito mais que a gente...

Voltasse de onde viesse
com sua pasta repleta
de sonhos que tanto pudessem
com seu sorriso de agreste
e abraço de urso cor celeste;
um grande presente
dessa volta de quem partisse...

E em meio ao papo caloroso
nem parece que houvera distância
parecia mais um sonho
que sonhado juntos
criou substância
e a penumbra virou dia
e quando li um de seus escritos
percebi que ninguém te copia...

E do mesmo jeito de sempre
deixou para o dia seguinte
assuntos quase extintos
foi buscar sua “maria”
não como homem obediente
e sim como ser tão distinto
exalando grande energia !

Só que ao invés de seu possante corcel
acelerou sua lamborghini branca
como se voltasse ao céu
como um sonho de criança
que tanto se encanta ao ler seu cordel.


Robson
 – (tão cedo, tão hoje)

08/02/2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O tempo, passatempo...


O TEMPO, PASSATEMPO...


Quando começamos a relembrar
que tivemos uma boa infância ou não
nem percebemos, mas estamos adentrando
em campo de perigo
onde a vida nos resta pouco, ou muito
para a qualquer momento se esvair
dando lugar a saudades, nossa ou de outros...

Ao inventarem o tempo
decididamente decidiram sobre quanto viveremos
do desde até o quando, no meio o quanto
infância, puberdade, meia idade e fim
se fez fez, se nada fez não faz mais.

Passamos a vida inteira cuidando dos outros
fazemos eles crescerem, viverem, amarem
enxugamos suas lágrimas, mostramos caminhos (...)
e na hora que cansamos
pelo tempo que usamos
uma ou outra visita ao ano
não foi assim que ensinamos.

E neste meio, os contratempos
dívidas, dúvidas, decisões
casamentos, filhos e separações
à quem diga que faria tudo de novo
do mesmo jeitinho que fez
eu digo que isso é uma piada
já mudaria tintim por tintim
quem sabe até daria
outro sobrenome aos filhos... “Há certas coisas que ouvimos
                                           no decorrer da vida 
                                           que nascer surdo seria
                                           um bom prelúdio.”

E assim o tempo foi nos comendo
dia-a-dia no café, almoço e no jantar
a cada dia, a cada festa, a cada rodízio
a gente praticando a engorda
depois, arrependidos, querendo emagrecer. Mas o tempo não para...

E a gente a envelhecer
esperando como vão escolher
o jeito e com quem morrer
dentro ou fora de um asilo
já que em idade avançada
nesta estranha nostalgia
nem podemos escolher isso ou aquilo
se “shake” ou feijoada
se solidão ou companhia... Quem diria que meu passatempo predileto
                                      seria me intuir, ainda de poesia
                                      que tudo isso já vivido
                                      é parte do primeiro tempo
                                      ou alguns minutos a mais
                                      e enquanto não sabermos
                                      quando será o grande final  
  Vamos vivendo os momentos...


Robson
05/02/2014