O TEMPO, PASSATEMPO...
Quando começamos a relembrar
que tivemos uma boa infância ou não
nem percebemos, mas estamos adentrando
em campo de perigo
onde a vida nos resta pouco, ou muito
para a qualquer momento se esvair
dando lugar a saudades, nossa ou de
outros...
Ao inventarem o tempo
decididamente decidiram sobre quanto
viveremos
do desde até o quando, no meio o quanto
infância, puberdade, meia idade e fim
se fez fez, se nada fez não faz mais.
Passamos a vida inteira cuidando dos outros
fazemos eles crescerem, viverem, amarem
enxugamos suas lágrimas, mostramos
caminhos (...)
e na hora que cansamos
pelo tempo que usamos
uma ou outra visita ao ano
não foi assim que ensinamos.
E neste meio, os contratempos
dívidas, dúvidas, decisões
casamentos, filhos e separações
à quem diga que faria tudo de novo
do mesmo jeitinho que fez
eu digo que isso é uma piada
já mudaria tintim por tintim
quem sabe até daria
outro sobrenome aos filhos... “Há certas coisas que ouvimos
no
decorrer da vida
que nascer
surdo seria
um
bom prelúdio.”
E assim o tempo foi nos comendo
dia-a-dia no café, almoço e no jantar
a cada dia, a cada festa, a cada rodízio
a gente praticando a engorda
depois, arrependidos, querendo emagrecer.
Mas o tempo não para...
E a gente a envelhecer
esperando como vão escolher
o jeito e com quem morrer
dentro ou fora de um asilo
já que em idade avançada
nesta estranha nostalgia
nem podemos escolher isso ou aquilo
se “shake” ou feijoada
se solidão ou companhia... Quem diria que
meu passatempo predileto
seria me
intuir, ainda de poesia
que tudo
isso já vivido
é parte
do primeiro tempo
ou
alguns minutos a mais
e enquanto
não sabermos
quando
será o grande final
Vamos vivendo os momentos...
Robson
05/02/2014





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