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Quase todos dormem ao se pôr do sol
cansados pela luta de conquistas
nem sempre agraciadas
com as medalhas merecidas
de um salário mata-a-fome
de horas extras esquecidas...
Diaristas matutinos me perguntam
o que ficas fazendo de madrugada
e num lapso poético vos respondo
estou tomando conta de seus sonhos
prendendo seus pesadelos
e procurando o fio da meada
das inspirações modelos
puxando o sol de seu dia
que aquecerá tua morada.
O dia ensolarado
pois mesmo chovendo sempre o é
só me traz barulhos e agitos
o vendedor de gás, a polícia amostrada,
o carteiro, a molecada e seus apitos,
a kombi escolar e sua terceira buzinada,
extra-extra-extra: morreu quem de nada sabia
matou-o quem sabe de tudo;
o corre-corre e seus gritos
e no meio-fio do meio-dia
a fome anunciada.
Isso sim é um dia repleto de tanto e tal
para os poetas de poema criminal
das noticias do jornal
do amor passional !
É de dia sabemos
quando um corpo ao chão morto
que na noite parecia dormir
se confunde aos deste mundo
do não se sabe para onde ir...
E assim termina o dia
dando lugar para a noite esperada
com calma administro minha nostalgia
no alto da lua enluarada
nos prazeres da poesia
nos sonhos da mulher amada
viajando na minha fantasia !
Nas noites eu te decifro
de dia tu me perdes no seu obscuro
e nas reminiscências do passado
sou o guardião do seu futuro
e um poeta acordado.
# Meio
23/10/2011



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