Eu tenho medos
estranhos e temerosos terrores
tenho medo da faca afiada
deslizando sob o pão nosso de cada dia
numa manhã ensolarada e sem chuva...
Tenho medo da força das palavras
que atinge gente incapacitada
da falta de compreensão
na poesia recitada
do simples sim
e doído não
talvez ?
Tenho medo de ter medo
e mostrar minhas fraquezas
numa manhã insana
acordar sem ver na cama
com todas as suas belezas
a criança que tanto me ama.
Já perdi muitos amores
pelo medo de arriscar
tive até medo de rezar
atendido fosse meu suplicar !
Ando sempre me perguntando
como se eu soubesse as respostas
se assim fosse já estaria gastando
todos os prêmios de minhas apostas...
Também tenho medo de ganhar
parece que deixo alguém perder
sempre me esqueço que neste mundo irmanado
tenho uma única alma a defender
vim da noite escura e nasci iluminado
por que me esconder ?
E quando estou me arriscando
sentado a beira do abismo
confio no alado me guardando
com uma ponta no meu cepticismo.
Quem me colocou medos tinha medo
a morte não é tão simples assim
têm dia certo e mantém total segredo
senão não chegaríamos ao fim
já que o suicídio não é correto !
Os animais quando sentem medo
correm para um canto se escondendo
e se o agressor ainda lhes intenta
em defesa dele ou da cria
agradeça se puder contar a história...
Ter medo também significa coragem
assim medimos nossos limites
se medos não sentissem
não haveria quem vos recriminasse
este mundo seria uma maluquice
maior ainda das que já existem...
" Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar. -- William Shakespeare "
Vou continuar tendo meus receios
talvez ainda me privar de certas vontades
vou colocar na frente meus desejos
esquecer minhas idades
apagar meus lampejos
do que não fiz por medos
e que me causam saudades...
Robson
15/10/2011



Um comentário:
Sim. Todos temos nossos medos, receios e pavores. Como queiramos chamá-los. De perder o que temos. De não conseguir o que almejamos. De não lutar nossas lutas. Da saúde de um filho. Da mãe ficando velhinha. Do medo do escuro. Lindo poema.
Postar um comentário