NATAL – UMA FALHA TÉCNICA
http://www.nuaideia.com/nac/s/simone/entao_e_natal_NI.mid
Eu, como muitos, passamos o ano todo pensando logo no fim do ano, os mais exemplares compram presentes antecipados, deixam sobrar algum fundo do décimo terceiro, e compram artigos de alimentação diferenciados. Tudo isso é muito normal dentre muitos. Lá pelos meus idos dos meus bons tempos remotos, também entrava nesse ritmo de festa e seus festejos, despedida do ano velho e boas vindas ao ano novo, sem nunca postergar a comemoração natalícia entre os familiares e os bons amigos.
Pois é, só que naquela época eu estava acompanhado sempre de uma das mães dos meus filhos, sujeito responsável, cumpridor de suas obrigações maritais, enfim, ainda é uma noite especial para tantos brasileiros, do rincão ao litoral e de Caburaí ao Chuí (antigo Oiapoque ao Chuí), onde geralmente deixamos os dissabores de lado para cear as delicias coloridas da gastronomia regional, é panetone com leitão à pururuca (lembrei de minha sobrinha), uva Itália com jaca nordestina, e por aí vai..., porém, este 2011 que quase está findando, o bicho pegou... E como pegou...
Solteiro, na função indelével de pai do Gabriel, vivemos como podemos, ele sem problema nenhum e eu, mesmo sem procurar, cheio de preocupações e sem tempo para me resguardar para este final de ano. O balanço financeiro foi para o espaço e justo na hora de receber a segunda parcela do décimo terceiro, um imprevisto do tamanho de uma crise mundial, me acomete. Passei doze meses vendo crises pela televisão e internet, uma hora é ali, acolá e agora bem aqui, comigo.
Pessoas amigas, que fazem o patrocínio deste blogger, já haviam me questionado o porquê eu ainda não tinha escrito nada sobre o Natal, talvez para encerrar o mês com algum poema festivo ou algo parecido, mas nada sabem (sabiam) que minha inspiração é movida de garantias, inclusive as financeiras, pois não dependo das reações amorosas e melodramaticamente românticas para escrever sobre isso ou aquilos... Meu sétimo sentido já estava rondando minha mente, alguma coisa estava para acontecer, dizia ele a mim mesmo. Dito e feito...
Por um erro humano (destes que a gente comete por livre espontaneidade) o dito merecido salário não chegou de praxe no seu vigésimo dia do mês de dezembro, como costume geral da lei trabalhista em vigor pela CLT (celetista) criada em primeiro de maio de 1943 por Getúlio Vargas, e como dia 20 de dezembro já é praticamente a semana do Natal, sem uma mínima inspiração e uma grande conspiração Universal contra meus desejos de dar uma voltinha no shopping, uma ou outra comprinha, uma lembrancinha para alguém, enfim, nem mesmo vou poder levar um champanhe “sidra cereser” debaixo do braço para a casa de algum amigo...
Não gosto de participar de nada sem algum dinheiro no bolso, salvo emergências, contudo, esse Natal será assim, à ver navios, inclusive verei todos ancorados no horizonte, com suas luzes tremeluzindo dizendo: “Olha aqui tem festa, pegue sua lancha e venha, só não esqueça o cartão de crédito”; coisa que não uso, para não ficar mais endoidecido ainda...
Vou tomar um banho de mar numa noite dessas, me despir de antigas tradições e dar um “tchibum” para espantar os fluídos errados deste mês, porque até mesmo os aeronautas resolveram entrar de greve e deste jeito, nem minha cartinha esperada vai chegar. O destino ficou ao acaso... Acaso meu e dos outros.
Já posso comemorar junto às canções eternas do Natal, inclusive com aquela da Simone, mas do meu jeito assim: Então foi Natal / que foi que eu fiz? / o ano termina e começa outra vez... Assim, como águas passadas não mais movem redemoinhos, de um jeito ou de outro, com pernil ou pão com margarina, como pobre ou rico, sem comemorar o Ano Novo eu num fico, nem que tenha que rodopiar minha bolsinha, por estas avenidas tão vazias ou, descascando batatas e lavando o convés, num daqueles imensos navios de cruzeiros... Epa, opa! Meu problema são os Reais...
São estes tais reais (procedente do pau-brasil, tecidos de algodão e das patacas ou réis) que me deixariam continuar acreditando no “papai noel” e, assim pagar as contas que também vencem em dezembro festivo, e por fim dizer que de todos os Contos Natalinos que li até hoje, esse meu é um dos mais verdadeiros de que participo. Pior será ficar sem internet, o que seria o meu Natal virtual...
Os desejos deste sonhador continuam, então FELIZ NATAL, pois no PRÓSPERO ANO NOVO eu estarei junto, como sempre !
Robson
22/12/2011
P.S. A cartinha esperada chegou em 24/12/2011 as 16:45 hs. O trágico se tornou cômico.