CARTA NA MANGA, PULO DO GATO OU...
Certa vez apareceu mendigando um homem de meia idade com a deficiência física de não ter uma das pernas. Sabedores que somos da relutância de empresas em contratar pessoas nesta situação, entregamos alguns trocados, hesitantes em quase imaginar que ele poderia ingerir álcool. E ele partiu após agradecer insistentemente nossa cordial ação... Partiu para a mesa ao lado, aproveitando nosso congraçamento para aproveitar e pedir a outros, como se quisesse dizer;
olhem, eles me deram vocês também darão? E assim ele se foi... Saltitante. (PULO DO GATO)
Um dia, volta ele, quinzenalmente com mais meia idade que tinha, e a mesma história se repete, de que passava fome com a família e, aparentando estar bem corado e literalmente com melhor saúde que a nossa, mendigou novamente... Negamos é claro, cordialmente.
Esse homem virou o “bicho”... E foi logo, aos berros, dizendo:
—— Vocês estão todos bonitinhos, comendo, bebendo e se divertindo, não percebem que estou sem uma perna ou tenho que ficar de ponta cabeça para provar isso? (CARTA NA MANGA)
Passado o susto, transtornados respondemos que, não tivemos culpa alguma da perna dele ter ido sabe-se lá para onde, mas se ele quisesse manter a que restou seria melhor mendigar com mais humildade e não com tanta prepotência vulgar, pois poderia encontrar em seu caminho alguém não tão disposto a ouvir suas lamentações.
Resmungando ele foi embora para bem distante e tão rápido que parecia ter três pernas e não apenas uma...
Algumas pessoas se aproveitam de suas doenças, os “coitadinhos”, os diferenciados e em muitas vezes nem as querem curar, para parecerem e se acharem melhores que outros; infelizmente, nós muitos, num êxtase de bondade e beneficência, alimentamos as lamurias e ainda passamos a mão na cabeça, como se envolvidos na situação alheia, cooperando assim, para que o errado continue errado. (INCOERÊNCIA)
Robson
12/12/2011



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