"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos." Charles Chaplin
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
DEPOIMENTO DE UM POÉTICO ANÔNIMO
(ficção baseada em reunião de AA - Alcoólicos Anônimos)
— Meu nome é Robson,
sou um meio poeta viciado em escrever
que insistem que sou por inteiro
e através da poesia que me intuía
sabe-se lá de onde isso vinha
ganhei fama e algum dinheiro,
a fama foi profissional
conseguia cargo que nem existia
poeta que se preza tudo cria
e quando engana é passional...
De tanto poetar perdi meus créditos
larguei tudo, deixei filhos na saudade
ainda tentei saldar meus débitos
vendendo versos nos faróis da cidade
Fui preso, encaminhado a um distrito
maltrapilho, mal amado, sem identidade
e embriagado por muito ter escrito
implorei por lápis e papel, sofri na abstinência
cheguei assim ao fundo do meu poço
e impotente a tal vício, assumo minha dependência
SIM, EU SOU UM POÉTICO ANÔNIMO !
Lutei para que o poeta se profissionalizasse
ser registrado, ter direitos trabalhistas
férias, décimo terceiro, fundo de garantia, INSS
e que as musas mães pudessem
terem direito às pensões alimentícias...
Dou minha mão à palmatória
errei por iludir e enganar
minha vida foi uma paixão retórica
citei sempre o amor no meu poetar
fiquei sozinho nessa história
meu coração a me protestar
diz sempre pare com essa poesia
ajeite-se com uma linda guria
e vá se enamorar !
Aos predispostos poetas mostrar
que o que consegui com meus escritos
foi um livro de auto-ajuda editar
mudei a mulher de seus mitos
a converti em minha emoção
e assim perdê-la-ia em sua essência
pois sou viciado e sem limitação
desta doença aclamada pela minha dor
deste homem visionário e sonhador...
Não nasci romântico de berço
meu pai um rústico, a mãe submissa
nem Drummond, nem Coralina
e assim que aprendi a escrever
muitas cartinhas enviei
namoriquei a mais linda menina
pela poesia escrita me apaixonei
até hoje essa é minha sina !
Até que ponto fui um poeta fiel (?)
se do amor em versos e poesias
elevei mulheres ao céu
mas sou poeta não vivo de um só pitéu
também fiz lá minhas orgias
que destino cruel,
apresento-me em público, não sou mais revel...
Quero parar essa compulsão de escrever
peço o apoio de todos os poetas anônimos
a poesia venceu o meu ser
virei um farrapo humano !
E só por hoje, nada poetizei
nem frases expressivas criei
aqui termino esta resenha interior
peço-lhes manter meu anonimato
agradeço ao Poder Superior
e aos ouvintes, o meu muito obrigado !
# meio poeta - 30/07/2011
(participei com este poema-ficção na 6ª RECITATA - Recife/PE em 18/08/2011, inscritos 80 propensos ótimos poetas – premiação até o quarto colocado )
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2 comentários:
Muito lindo,Meio!
Eu já conhecia o Poema, no entando, venho parabenizar você mais uma vez por Ele. A sua Participação na Recitata com certeza, fez com que ela fosse mais brilhante. Quanto a ser classificado, é questão de tempo, de momento...!
Parabéns mais uma vez....beijos!!!
Nô
Que lindo ficou. Essa vozinha aí, ao MEIO, tornou a poesia uma cumplicidade gostosa. Saborosa de ser ouvida/sentida. Gostoso curti-la, meio, junto com teu filhote. Na próxima, sim, terá a próxima, sucesso absoluto, com certeza.
Beijusssss.
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