REPENSANDO A COERÊNCIA
Pode ser que a percepção esteja errada
afinal quem consegue saber do outro
se a maioria está tão calada
mas ao chegarem na idade de ouro
deixam a vida seguir transviada
Ninguém mais levanta da cadeira
não se leva criança aos cinemas
ninguém mais faz zoeira
todos se trancam em seus dilemas
De dia se dizem verdadeiros
mostrando-se o espelho da vizinhança
à noite se enrustem nos pseudônimos
nada é mera semelhança
de peões a fazendeiros
de deuses a demônios
a internet usada como vingança
perdem-se assim todos os brios...
A grande maioria noturna
adormece seus pesadelos de dia
acorda toda soturna
esquece a louça amontoada na pia
corre ligeiro para sua turma
de urso velho à gato que assovia
de alegre que sempre se emburra !
São poucas as exceções
mas na província sem dono
nesta era elétrica de comunicações
o mais humilde e tonto
se torna o maioral deste salões
um quer ser mais que o outro
o outro se defende agressivamente
e pronto; irracionais em grande encontro
a mãe de um virou messalina rapidamente
e a da outra, nem te conto...
Quem somos nós realmente ?
E assim a vida passa
os filhos repetem o que os pais mostram
crescem vendo essa devassa
fazem o que todos gostam
de verdadeiros a heróis da trapaça
e muitos até apostam
que viver assim é a graça...
Não pense estes versos radicalizam
cada qual sabe de sua vida
nossas memórias se ridicularizam
e quem irá apontar o dedo
acusando toda pessoa mal resolvida
serão os jovens que nos eternizam.
A vida brinca com a gente
e incoerentes brincamos com a vida
o tempo passa indolente
ninguém mata o tempo
ninguém do outro é melhor ou diferente
da vida somos apenas seu passatempo
isto sim, aparenta ser coerente...
# meio poeta
17/07/2011




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