Entre minha liberdade
de expressão
ou a de ir e vir,
falar ou calar, fazer ou estacionar;
há uma pessoinha
muito egocêntrica chamada Eu.
Às vezes entre mim
e Deus, pairam dúvidas
existenciais abstratas
ou concretas
ditadas por ateus,
católicos, protestantes, hindus, paranóicos
ou abduzidos
convictos, raulseixistas e políticos, dentre outros,
sobre a eterna existência
do Todo Poderoso,
não fosse alguns
milagres pré ou pós adquiridos.
E o “eu” ali firme
comandando
os finalmentes
desta ebulição diária
dos sonhos, do
acordar, do dormir... Ninguém pensa por mim
sem a autorização
do meu “eu” nosso de cada dia.
Na minha vida
encontrei muitas pessoas
predispostas a
mudar o meu “eu”
entrei na onda,
também quis mudar o eu delas;
é claro que fomos
vencidos,
ninguém muda
ninguém
nem os filhos
mudam os pais
nem os pais mudam
os avós
nem o mundo muda o
mundo
sem a concessão do
“eu” de cada um...
Não adianta querer
mudar o mundo,
se o próprio mundo
vive naturalmente por si só,
a flor só morre se
você cuidar
com nossa mania de
cuidar demais,
talvez ela
sobrevivesse melhor sozinha;
vivemos querendo cuidar
dos outros,
e nem todos têm o
dom de médicos curandeiros,
mas queremos fazer
o papel de cuidadores,
que se não tomar
cuidados,
deixamos de cuidar
do meu “eu” para cuidar do teu “seu”...
As pessoas grandes
ou pequenas têm características
tão próprias que dificilmente
há quem entenda
ao menos, metade
delas. Não existiu psicólogo
para isso, por
mais que ainda citemos o nome de tantos.
No embalo da
euforia, nos distraímos
e logo queremos
fazer parte de um protesto
que nem de longe
nos interessava, mas vamos que vamos,
tamos juntos,
conte comigo; nem sempre o meu “eu”
está tão envolvido
em causas generalizadas,
apartidárias ou
conjuntas. Às vezes só queremos paz.
A vida por si só
ensinou ao meu “eu”
que posso viver
sem o “teu” seu,
não é do próximo
que vem o ar vital,
nem sempre o amor
é verdadeiro,
quando sim, sempre
há um interesse pelo meio,
interesse esse
mais do outro
do que a nós
mesmos. É um jogo
jogado por duas
pessoas, ou mais...
E na hora de
dissolver o que insolúvel era
ainda pagamos
advogados para falar pelos nossos “eus”
o que complica um
pouco mais,
entrando no jogo os
“eus” deles
mais o “eu” final
dos juízes de plantão.
E cada um para o
seu lado,
um com o “eu”
enfiado entre as pernas,
outro com o “eu”
cabisbaixo, vencido e mal amado
virando arquivo
morto num galpão empoeirado qualquer.
Toda união, estável
ou não, de amor ou de paixão,
deveria ser tão
fácil terminar
como desistir de
uma amizade,
que muitas vezes,
segundo reza a lenda,
é mais forte que
um enlace matrimonial;
e deveria também
ser indenizável tal perca...
Quantas vezes fiz
ou não fiz coisas
que até meu próprio
“eu” duvidava
o corpo ia, o eu
meu segurava
e o “teu” eu
completava, ou seja,
quando dois querem
não têm “nós” que segure...