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É hora de escrever uma cartinha para mim: homemdeasas@hotmail.com

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Adeus Ano Velho


Adeus Ano Velho

Estou perdendo
e nunca esquecendo
o ano que se esvai
quem foi, foi
quem ficou chorou
afinal quem deixa sementes é a natureza
o homem só deixa lembranças
algumas inesquecíveis
outras perecíveis... E o ano se vai
e é a morte mais comemorada do mundo
a mais rápida de todas
já no segundo seguinte
cai todo mundo na farra... Adeus Ano Velho !

Quem comprou roupa nova
renovou parte do guarda roupas
quem não comprou;
com que roupa
eu vou ?

No ano que passou
muitas coisas eu fiz
mudei o rumo de caminhos
tentei deixar alguém feliz
nem que fosse apenas
por poucos momentos
todo sentimento por um triz
e minha conta bancária me diz
vai faltar grana para todos os pagamentos...

Minha rua amada choveu inundou
quando eu pensava que tudo aquietava
tal silvinha abriu um bar
que arruína toda a noite e madrugada
depois o Prefeito reclama
que o IPTU a gente não paga;
vem gestor passar uma noite
em barra de jangada
e acordar com a cara inchada...

E entre perdas e danos
ganhos e desenganos
♫ A gente vai levando
a gente vai levando, esta vida
e o que sobrou
são os melhores amigos.

− E para os dias magros e dias gordos
Feliz Ano Novo !!!


Robson
30/12/2013


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal 2013 - Aos Amigos



Esse ano foi divertido
para quem saiu do armário
guardou a calça comprida
e colocou o melhor dos vestidos
liberdade, antes que tardia...

Foi triste para quem ficou
não bateu asas e nem voou
um ente querido se foi
um dia a gente também se vai;
ouvimos falar de morte desde que nascemos
poucos ouviram falar de vida
depois que morremos.

O mundo é muito materialista
parece que somos todos cientistas
todos sabem como é que é,
mas só acreditam vendo
é muito São Tomé
- Será que sentiremos tanta falta de shoppings ?

Deram uma brecada na corrupção
então valeu cada manifestação
só que o freio não é ABS
ainda vai ter muita grana no cuecão...

E por falar em vestimenta
esqueça tudo que lhe atormenta
ano que vem têm mais
se o teu salário o mês não agüenta
transforme tudo em fevereiro
é mais curto e tem carnavais
e com que sobrar, você inventa.

Em 2014 teremos eleições significativas
e se você votar certo
o ano será bem melhor que esse
e você assim o merece

Feliz Natal !!!


Robson

24/12/2013

sábado, 21 de dezembro de 2013

120...80...60 KM POR HORA (plagiando Roberto)


Eu ia voando pela vida
Sem saber parar
Carros, árvores, amores, caminhões, filhos
Tudo ficava no retrovisor...

Minha mãe me dizia
Prá que pressa meu amor 
Se não pode tudo num dia
Deixe um pouco prá depois...

Precisas parar
Logo com isso
Precisas lembrar
Que eu existo, eu existo...

O velocímetro da minha vida marca
Cento e vinte
E assim poucos me viram passar,
Preciso lembrar
Que eu existo
Que a vida não é um teatro
Que recomeça na sessão seguinte
Preciso lembrar
Que quando a gente corre demais
O mundo lá fora para
E me torno tão sozinho,
preciso parar
para dizer
que eu existo, que eu existo...

O ponteiro agora marca
Menos de quarenta
Não sei por que tanto eu corri
O coração quase arrebenta;
E vendo o álbum de fotografias
Eu chorei...
Preciso lembrar
Que minha pressa
Me fez tão distante
E hoje eu vou mais devagar na vida
Acelerando bem menos meu possante
Prá me lembrar, que eu existo...


Robson

21/12/2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Rima Forte


Rima Forte

Ao passo que a caneta traça
rabiscos que se unem em letras
pousam lá de onde não se sabe
em teclados rudes, folhas arcaicas em nostalgia
versos que tanto se abrem. É carta curta
de longa tradução
fala de coisas
de coisas que nem sempre se falam. É poesia.

Ao passo que explico ao teu braço
como fazê-lo sem tanto doê-lo
doar-se a outro pelo teu traço
sem ao luxo dar-se-á sem perdê-lo
escrevendo coisas ao coração...

Ah! Não fosse esse mecanismo
talvez não existissem poetas
que se doam para falar sobre tua dor
e ninguém faz o tempo se envolver
para falar da ansiedade deste sonhador.

Mas, quem quer saber de poetas
e suas infinitas escrituras
muitas vezes estranhas
e um tanto quão obscuras
que jamais serão portas abertas
por serem tão cheios de censuras.

E assim a poesia é feita
hora para mim, hora para ti
e nunca será completa
enquanto amor rimar com dor...



Robson

19/12/2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Guararape-se !



Quando de novo encontrei
o chão que aqui muito andei
fiz de mim uma saudades
perversa é má essa sensibilidade
que ora arranca pedaços,
que ora crescem os laços
e por mais que se dê abraços
morro todo dia no vou vivendo,
nesse Jaboatão dos Guararapes...

E de tanto morrer
na ansiedade de querer te entender
converso com um aqui, outro aquém
sobre o por quê de tanto querer
e a resposta nem está na garganta
há muitos sem saber
esse amor à Jaboatão
que nasce na criança
e percorre o coração.

Eu quando aqui aportei
tinha valor, porque muito ensinei
porém o tempo passou
os livros chegaram e o computador;
talvez, lá no rincão da serra
ainda existam homens da terra
com vontade e ardor
de acabar com a farra
que aqui se instalou...

Todo mundo virou político
todo mundo quer ser vereador
perderam o senso crítico
de tomar café de coador
são tão cínicos
que nem respeitam mais o eleitor
nem os sonhos desse morador...

E assim, vou jaboatonando
e quem quiser grandes mudanças
faça estrondar os tambores e;
Guararape-se !


Robson


10/12/2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

SE EU MORRESSE ONTEM



Depois do grande susto, hoje já estaria feliz, não pelo fato de você não ter ido ao meu enterro, seja ele cristão ou indígena (onde todos os pertences, inclusive sua morada, são queimados depois de poucos dias); estaria feliz pelas coisas que não fiz, foram elas afinal que me fizeram perdurar até ontem, aqueles sonhos de gente terrena, que todos nós temos e que faz a gente viver.

E nesta felicidade realmente eterna, terrena-mundana ou celeste-divina, sei que ajudei pessoas que nunca vi, cegos que nunca enxerguei e calei a boca do atroz com alguns traços escritos meus. Felicitaria-me humildemente das coisas que falei, algumas induziram coisas boas, outras, mal aplicadas, resultaram em aprendizado, sempre percebi que é caindo que se ergue com mais força e é nesta vivencia que me inclui e já me achava dono de algumas verdades, mas entremeio a isso descobri que não somos donos de nada, a não ser de algum imóvel registrado em cartório. O que não foi documentado oficialmente, depois deste apagamento da vida, virou pó, sumiu.

Deixarei uma grande herança, só não mencionarei os valores nesse mundo tão ganancioso, pois podem me matar duas vezes, e eu com esse dom de poesia, sei como morrer várias vezes num mesmo poema. Com os meus medos e mania de segurança, se facilitar roubam minha alma e mudariam meu real destino.

A maior herança que pude deixar, foram traços bons de mim aos meus filhos, seja na parte prática como na artística, todos têm um pouco de mim em sua cultura e até no lado espiritualizado de cada um deles. O que mais se aproveitou de mim foi o raspa-de-tacho, por pouco mais de doze anos de idade, aprendeu, muito mais pelo próprio dom, a chorar as emoções e brilhar seus olhos na alegria. Foi também até hoje, o que mais me arretou, em todos os substantivos e adjetivos da palavra e o que mais não deixei me perder deles.

Já fui empregado, funcionário público, sócio e dono. Plantei árvores. Fiz filhos e escrevi um livro editado (http://www.avemaria.com.br/produto/734-bardossemnome) que falava de minhas vicissitudes e de alguns vícios de percurso, tenho outros inacabados; todo livro de qualquer escritor é inacabado, até mesmo os de matemática. Vivemos em evolução, porém conheci pessoas que faziam questão de dizer que o homem nunca foi à lua. Imagine então falar sobre viagens astrais além do corpo...

Vivi, bebi, comi, dormi, acordei, sonhei, realizei, falhei, consertei, aprendi, ensinei, desandei, briguei e amei de paixão. Casei e descasei. Senti dores e êxtases, mediquei, benzi e aprendi muito sobre depressão, pânico e paz. Foram tantas lasanhas, cabidelas, bifes a milanesa, sorvete italiano, trufas, folhagens e pizzas e todo sábado, de praxe, feijoada completa com vinho ou caipirinha, que acabei descobrindo que minha alma é pequena, precisava de mais corpo para cabê-la... (meras desculpas).

Passei algumas fomes, oras, quem não as teve por algum momento? A fome é relativa com a vontade de comer alguma coisa que não se têm na despensa, mas não morri de vontade; há pessoas que morrem. Uns morrem ao atravessar uma rua ou a voar sobre um abismo. Tantos morreram em batalhas fúteis e não passaram de soldados rasos treinados para morrer. Outros se medalharam por terem dizimado pessoas.

Trato a morte com naturalidade, mas a saudades que fica de quem parte é um caso a parte, uma dor a ser trabalhada. Ainda estou aprendendo isso, já que a certeza absoluta do reencontro pós vida ainda me é pré indefinido, faltando apenas morrer para isso aprender.

Eu mudei pessoas e fui mudado por algumas, foram muitas mudanças e nesse muda-muda, não deixarei uma semente de mim, apenas vim, vi e venci, se venci pouco foi falta de tempo e não falta de vontade, isso me lembra estar nas dependências de um grande hospital, com os pés doendo e encontrar aos corredores sem fim, pessoas totalmente truncadas na cadeira de rodas, sorrindo, enquanto eu reclamava de uma dorzinha. Disse-me alguém num culto que Deus é uma parte de mim e que sou uma parte Dele, portanto, se eu dançar ele dança, se eu gostar Ele gosta, se eu morrer, daí eu num sei. Não deve ser como esquecer alguém propositalmente, ao ponto desta pessoa sumir da nossa vida.

Se eu morrer ontem, é mais seu destino ficar sem mim do que eu sem você. Torna-se natural a morte que não me dá medo, do que as surpresas indesejadas que esta vida proporciona, porém acredito que tudo está correto, igual aos alimentos com seus prazos de validade, assim sou eu. Tenho prazo de validade.

Felizmente você também. Sou paciente. E não vá ao meu enterro, como eu gostaria de não ir ao seu. A missão foi cumprida. Assim me vejo. 

Quem sabe a gente se encontra, como é meu desejo.



Robson


29/11/2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Agonia da Pia, da Avaria à Glória


Pia que se entupia
vai de lá a nostalgia
que nem pia existia
tudo na base da bacia
hoje tanta utopia
sem pia por um dia
nem Freud explicaria
tanta euforia
de Sueli e Soraya
e de quem mais assistia,
ao arrumar essa saída
com tanta perícia e maestria
um exemplo à maioria
do que era só teoria
deste momento de alegria
num frisson sem malícia
restou apenas a poesia
com certa ironia
Aleluia ! Aleluia !!!
(alguém cantaria)
pela pia que se desentupia...


Robson, 
29/11/2013

terça-feira, 26 de novembro de 2013

ENTRE NÓS EXISTE O "EU"



Entre minha liberdade de expressão
ou a de ir e vir, falar ou calar, fazer ou estacionar;
há uma pessoinha muito egocêntrica chamada Eu.

Às vezes entre mim e Deus, pairam dúvidas
existenciais abstratas ou concretas
ditadas por ateus, católicos, protestantes, hindus, paranóicos
ou abduzidos convictos, raulseixistas e políticos, dentre outros,
sobre a eterna existência do Todo Poderoso,
não fosse alguns milagres pré ou pós adquiridos.

E o “eu” ali firme comandando
os finalmentes desta ebulição diária
dos sonhos, do acordar, do dormir... Ninguém pensa por mim
sem a autorização do meu “eu” nosso de cada dia.

Na minha vida encontrei muitas pessoas
predispostas a mudar o meu “eu”
entrei na onda, também quis mudar o eu delas;
é claro que fomos vencidos,
ninguém muda ninguém
nem os filhos mudam os pais
nem os pais mudam os avós
nem o mundo muda o mundo
sem a concessão do “eu” de cada um...

Não adianta querer mudar o mundo,
se o próprio mundo vive naturalmente por si só,
a flor só morre se você cuidar
com nossa mania de cuidar demais,
talvez ela sobrevivesse melhor sozinha;
vivemos querendo cuidar dos outros,
e nem todos têm o dom de médicos curandeiros,
mas queremos fazer o papel de cuidadores,
que se não tomar cuidados,
deixamos de cuidar do meu “eu” para cuidar do teu “seu”...

As pessoas grandes ou pequenas têm características
tão próprias que dificilmente há quem entenda
ao menos, metade delas. Não existiu psicólogo
para isso, por mais que ainda citemos o nome de tantos.

No embalo da euforia, nos distraímos
e logo queremos fazer parte de um protesto
que nem de longe nos interessava, mas vamos que vamos,
tamos juntos, conte comigo; nem sempre o meu “eu”
está tão envolvido em causas generalizadas,
apartidárias ou conjuntas. Às vezes só queremos paz.

A vida por si só ensinou ao meu “eu”
que posso viver sem o “teu” seu,
não é do próximo que vem o ar vital,
nem sempre o amor é verdadeiro,
quando sim, sempre há um interesse pelo meio,
interesse esse mais do outro
do que a nós mesmos. É um jogo
jogado por duas pessoas, ou mais...

E na hora de dissolver o que insolúvel era
ainda pagamos advogados para falar pelos nossos “eus”
o que complica um pouco mais,
entrando no jogo os “eus” deles
mais o “eu” final dos juízes de plantão.

E cada um para o seu lado,
um com o “eu” enfiado entre as pernas,
outro com o “eu” cabisbaixo, vencido e mal amado
virando arquivo morto num galpão empoeirado qualquer.

Toda união, estável ou não, de amor ou de paixão,
deveria ser tão fácil terminar
como desistir de uma amizade,
que muitas vezes, segundo reza a lenda,
é mais forte que um enlace matrimonial;
e deveria também ser indenizável tal perca...

Quantas vezes fiz ou não fiz coisas
que até meu próprio “eu” duvidava
o corpo ia, o eu meu segurava
e o “teu” eu completava, ou seja,
quando dois querem não têm “nós” que segure...


Robson
26/11/2013