Confesso que demorei por demais
para deixar de ser birrento
queria ser como os animais
mordeu, lambeu e esqueceu tal intento
Demorei 44 anos para vir até aqui
ao púlpito da minha vida
e dizer que aquela surra que não mereci
bem surrada e doída
por você estar no seu instante de frenesi
e eu contigo querer dar uma saída
Não merecia apanhar
por mais que muito chorasse
queria contigo passear
mas levou um amigo e me deixaste
minha mãe a me consolar
e eu só a berrar
prá toda a vila escutar...
Os anos... Ah! Os anos se passaram
de impúbere a puberdade
da adolescência a juventude
a dor juntava-se a minha liberdade
pai e filho na vicissitude
altos papos, altos lances, virei pai de verdade !
O tempo faz esquecer
uma dor que já não sentia
mas na mente não quis morrer
a surra daquele horrível dia
Toda vez que levantei a mão
para um filho poder mesmo aprender
lembrava de imediato que apanhei em vão
a abaixava e só dei sermão...
Não queria estar por tantos anos
na situação de não perdoado
que tanto abalava nossos sonhos
de pai e filho lado a lado
Por duas vezes ele me pediu para perdoá-lo
dentro de situações carentes e familiares
e no meu mesquinho NÃO lembrava-o
Sou pai - palmadas sem maldades...
Ele chorava e eu nada
até chorava junto e não perdoava
da surra que não se calava
da dor que nem mais doía
e antes que eu me cale para sempre
do não perdão que nos corroia
tão incoerentemente
— Acredite com fé nesta poesia
fui muito teimoso naquele dia
eu NOS PERDÔO incondicionalmente !!!
Robson
14/08/2011 – Dia dos Pais



3 comentários:
Linda poesia. Estória doída. Amarga. Principalmente na lembrança da criança que já se foi. Mas o abrir d'alma, o deixar o sentimento e a sensibilidade aflorarem, é o mais gostoso, o que realmente faz valer a penas ESTAR VIVO. Felicidade para os dois que se re-encontraram e se re-amaram.
Emocionantes: vídeo e poema...parabéns!
Beijo
Meus caros Anônimos, só posso para essa poesia ao Pai, dizer que é real, ele recebeu e nos desmanchamos. Viramos um só "suco"... É uma história de tantas outras que ocorrem pelo mundo afora.
Se possível (estranho isso) se identifiquem com um nick, um apelido, um primeiro nome depois de terem terminado de escrever, ou usem meu e-mail
para eu poder agradecer como gostaria.
Abraços Apertados !
# meio/Robson 16/08/2011
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